A primeira vez

tree-meditationParecia a gravidade a pesar nas costas e no coração
Mas era em si, extremamente diferente, apesar de parecer familiar
As associações foram ficando cada vez mais rasas e pobres
Até o momento deu poder afirmar que aquilo foi único

Meus pés inquietos negavam se repousar sobre o solo
Até que foram ficando leves e começaram penetrar a terra
Ao mesmo tempo em que enraizaram começaram a flutuar
E uma onda densa pairava em meus ombros e sobre as mãos
Lembrei-me do “ki” dos mangas e de onde vem a paixão pelo toque

Os dedos estabilizaram e a respiração começou a oscilar
Meu peito não aguentava aquela vibração intensa a circular
Poderia dizer que meu sangue não trocava mais gases nos pulmões
Pois o redemoinho não me possuía, afinal… Eu era ele
A sua origem ficou confusa ora no centro ora na mente difusa

Toda aquela poeira que fazia cócegas no nariz até eu espirrar
Entrou e ficou no canal auditivo, roubava-me alguns sorrisos
Os músculos relaxavam muito, mas ora ficavam tensos
Meu corpo pendia com o chamado de algo que não sei explicar
Às vezes gemia com o sopro gelado que me fazia esquentar

Sei que falava comigo, mas fui incapaz de escutar
Só conseguia interpretar o que era traduzido no meu sentir
Suas linhas me envolviam e eram brancas e cintilantes
Naqueles segundos parecia que eu realmente comecei a existir
E entendi o significado de tantos pontos brilhantes

E não eram vultos ou pessoas disformes a me encontrar
Nem mágico ou indescritível, há um plano que posso desenhar
Nuvens se desfazendo adquirindo um novo formato
Aquela vertiginosa sensação violentava essa vil matéria
E um fogo começou a flambar a carne até energizar

Em vários minutos achei que fosse chorarkimduess_meditation
No entanto explodi enquanto tentava respirar
Não tinha ideia de como tentar controlar
Só fechei mais os olhos e comecei a me entregar
Até alguns planetas começarem a me visitar

Creio que nunca me senti tão possuída por algo
E ao mesmo tempo tão plugada em mim mesma
Confesso que não queria sair, pois realmente nunca me senti tão dentro
De ser meu próprio epicentro

De: Lis*


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