Psicoterapia psicodinâmica adaptada para esquizofrenia e transtornos do espectro: ensaio randomizado em Berlim, com avaliação ao fim do tratamento (24 meses) e de novo aos 36 meses
Tipo de estudo: Ensaio randomizado · 130 participantes
Em uma frase: Psicoterapia psicodinâmica adaptada, somada ao cuidado habitual, ficou associada a melhor funcionamento psicossocial em pessoas com esquizofrenia do que o cuidado habitual sozinho, aos 24 e 36 meses.
130 pessoas, cerca de 4 pontos a menos de prejuízo
O funcionamento no dia a dia (atividades e participação social) ficou melhor no grupo que recebeu a psicoterapia: em média, cerca de 3,5 pontos a menos de prejuízo aos 24 meses e 4 pontos a menos aos 36, numa escala em que menos é melhor. Nos dois momentos, a margem de incerteza ficou toda do lado da psicoterapia, o que sugere um sinal a favor dela.
Pra quem lê metodologia
Ensaio randomizado de centro único, em que quem avaliava não sabia o grupo de cada paciente (pacientes e terapeutas sabiam). Ambulatório, esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo, psicoterapia com no mínimo 30 sessões mais cuidado habitual contra cuidado habitual isolado. Desfecho principal: escala de funcionamento psicossocial. Cada pessoa foi analisada no grupo em que foi sorteada, inclusive quem abandonou; só uma retirou o consentimento para usar seus dados. Limitações: centro único, pacientes e terapeutas sabiam quem recebia a terapia, e parte dos dados do seguimento ficou incompleta.
O que isso pode significar no consultório
Para quem acompanha pessoas com esquizofrenia em ambulatório, o estudo põe a vulnerabilidade interpessoal na mesa como um foco possível de trabalho, ao lado do cuidado psiquiátrico. A cautela: é um único centro, pacientes e terapeutas sabiam quem recebia a terapia, e os dados do seguimento ficaram incompletos. Uma pergunta que fica para a sessão: o que, nas relações desse paciente, mais pesa no dia a dia dele?
Nossa leitura
O grupo comparado ficou com o cuidado habitual, sem a psicoterapia do estudo. Então o estudo sugere vantagem em acrescentar algo, mas não diz se esse formato se sai melhor ou pior do que outras abordagens psicossociais.
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Referência: The efficacy of modified psychodynamic psychotherapy for patients with schizophrenia-spectrum disorders in Germany: a prospective, single-centre, assessor-blinded, parallel-group, randomised controlled trial. The Lancet Psychiatry. DOI: 10.1016/s2215-0366(26)00240-3. Texto feito apenas a partir do resumo.
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