Estudos
Os estudos principais de cada edição do PsicoCafé News, um por página: o achado, o desenho, o que muda no consultório e a referência com DOI. Os mais recentes primeiro.
- Ansiedade (3)
- Casal e família (2)
- Depressão (4)
- Infância e adolescência (1)
- Outros temas (1)
- Personalidade (1)
- Psicose (1)
- Suicídio (2)
- Terapia do esquema em grupo ou individual para transtornos de personalidade do grupo C: ensaio compara os formatos
- Feedback de inteligência artificial ou de terapeuta na TCC online para ansiedade social: ensaio com engano
- Intervenção online com Qi Gong e programa cognitivo online para sintomas depressivos: ensaio com três grupos
- TCC para insônia e ideação suicida: o que 19 ensaios randomizados mostram em adultos com insônia
- Treino cognitivo por computador em pessoas com depressão: o que 53 ensaios randomizados mostram sobre cognição e humor
- Remediação cognitiva social e trabalho em transtorno mental grave: ensaio pequeno em centros de trabalho protegido
- Quais componentes das terapias ajudam jovens com trauma complexo? Revisão com metanálise em rede
- Intervenções psicossociais para a saúde mental de cuidadores informais: revisão de revisões
- Canto em grupo para mães com depressão pós-parto: efeitos nos sintomas, no apoio social e na interação com o bebê
- Terapia online sem terapeuta, cognitivo-comportamental ou psicodinâmica, para sintomas de depressão e ansiedade: duração e fórum importam?
- Triple P e Circle of Security para pais de crianças pequenas, comparados ao atendimento habitual
- Cuidado colaborativo com enfermeiro versus autoajuda guiada em terapia cognitivo-comportamental, para estresse na atenção primária
- Psicoterapia psicodinâmica adaptada para esquizofrenia e transtornos do espectro: ensaio randomizado em Berlim, com avaliação ao fim do tratamento (24 meses) e de novo aos 36 meses
- Matérias de jornal com conteúdo educativo sobre prevenção do suicídio reduzem pouco a ideação em jovens de Chennai, na Índia?
- Programa digital em etapas para ansiedade e depressão em trabalhadores de cuidados de longa duração na Catalunha
Notas rápidas
A seção "Ciência por aí" de cada edição: notas curtas, com o DOI de cada estudo.
Edição nº 5, 2 de novembro de 2026
- Ensaio randomizado com 723 adolescentes e 797 adultos em risco de suicídio, triados em prontos-socorros e na atenção primária, comparou ligações de apoio prático com mensagens de texto afetuosas de mão dupla, ambas somadas ao cuidado habitual. Em adultos, o escore de ideação e comportamento suicida foi menor com ligações aos 6 meses, sem diferença aos 12; em adolescentes, os dois grupos ficaram parecidos aos 6 meses, no desfecho principal, e as mensagens se saíram melhor só aos 12.
- Revisão de 26 ensaios randomizados sobre psicoeducação para TEPT, com 3.304 adultos: só 9 mostraram redução de sintomas maior que a do grupo de comparação, todos em formato digital e a maioria com orientação humana. A qualidade da evidência foi limitada e a revisão não teve registro prévio; os autores concluem que ela não basta como tratamento isolado, mas pode compor o cuidado em etapas.
- Acompanhamento de 2.367 pacientes com depressão maior por 52 semanas: 69 tiveram episódio de mania ou hipomania. Passar mais tempo abaixo do corte de sintomas hipomaníacos nas primeiras 8 semanas se associou a menor risco depois; o resumo diz que falta validar em outras amostras.
- Acompanhamento de 5.266 jovens britânicos: quem fazia exercício para controlar o peso aos 17 anos teve, aos 23, mais sintomas de transtorno alimentar (diferença média de 1,19 ponto numa escala de 0 a 15, já descontados outros fatores, modesta e maior nas mulheres), sem provar causa.
- Em 20.554 pacientes holandeses atendidos em saúde mental geral, com ansiedade, TOC ou TEPT, a idade fez diferença estatística pequena demais para contar em TEPT e ansiedade, e ela deixou de aparecer quando os grupos foram pareados pelos sintomas iniciais, mais baixos nos mais velhos. É uma comparação sem sorteio, e dela os autores tiram que as diretrizes podem ser as mesmas nos mais velhos.
Edição nº 4, 26 de outubro de 2026
- Revisão com 54 estudos, randomizados ou não, e 10.721 adultos após tragédias coletivas: contra nenhuma intervenção, exposição, TCC e EMDR aplicado logo após o evento (que usa movimentos oculares) mostraram efeitos grandes no TEPT. Contra tratamento usual, só o EMDR precoce e a TCC seguiram à frente. Faltam dados de longo prazo.
- Em ensaio randomizado com 317 crianças e jovens, relatórios de sintomas de baixa frequência na terapia comportamental não mudaram a avaliação de quem media sem saber o grupo (efeito de 0,00, com margem que ainda cabe efeito pequeno para qualquer lado). Cuidadores, que sabiam o grupo, relataram melhora pequena, e terapeutas discutiram o relatório em só 29,3% dos casos.
- Síntese de 11 metanálises (análises que juntam vários estudos) sobre EMDR (movimentos oculares) na ansiedade: efeito moderado de 0,63, grande contra controles passivos e pequeno, de 0,36, contra tratamentos ativos, ou seja, vantagem discreta. Num estudo novo o efeito pode ser quase nulo. Qualidade baixa, e a maioria das comparações vem de amostras de TEPT.
- Em 316 pacientes da atenção primária espanhola, com sintomas leves a moderados, TCC em grupo para ansiedade e depressão veio com queda grande dos sintomas de antes para depois (efeito acima de 1,2), mantida por 9 meses. Esperar 3 meses não mostrou diferença clara no resultado de quem terminou, mas aos 9 meses o abandono foi maior entre quem esperou: 64,2% contra 44,0%.
- Em acompanhamento de mais de 2.000 crianças de Pelotas, o terço com mais privação na infância teve função executiva mais baixa aos 6 a 7 anos que o terço com menos: 0,67 desvio padrão, ou seja, diferença de tamanho médio. Ameaça também, com 0,28, diferença menor, puxada pela ameaça direta; a ameaça no ambiente da casa não mostrou associação. São associações, não prova de causa.
Edição nº 3, 19 de outubro de 2026
- Entre 227.502 veteranos que ligaram para a linha de crise, cartas de cuidado não se associaram a menos suicídios: 0,29% com cartas e 0,27% no grupo histórico de comparação. Quem assinava as cartas (clínico ou outro veterano) também não mostrou diferença.
- Em 109 pessoas com medo de altura, retirar comportamentos de segurança durante a exposição superou a exposição padrão, e acrescentar ações que contrariam o medo (como se debruçar no parapeito) não mostrou ganho extra, embora diferenças pequenas a moderadas não tenham sido descartadas.
- Terapia metacognitiva individual, com 12 sessões semanais, foi comparada ao tratamento habitual em adultos com TOC no Paquistão, em amostra pequena. Os dados sugerem queda maior dos sintomas com a terapia, mas um teste exploratório não confirmou que a mudança nas crenças explicasse essa melhora.
- Em 96 crianças de 6 a 12 anos em luto, uma TCC online sem acompanhamento não se distinguiu da lista de espera em ansiedade nem nos demais desfechos. Mais crianças do grupo da intervenção melhoraram no luto prolongado, mas só como pista preliminar. Só um terço usou o programa.
- Em 122 adolescentes chineses com episódio depressivo, um ensaio randomizado somou um aplicativo de plano de segurança ao tratamento habitual e viu redução maior de autolesão e de comportamentos suicidas em 6 meses, sem o resumo dar o tamanho da diferença. É um achado de grupo, que não prevê o caso individual.
Edição nº 2, 12 de outubro de 2026
- Em ensaio randomizado com 84 pessoas (amostra pequena) que viram um vídeo estressor, quem recebeu primeiros socorros psicológicos em grupo, comparado a quem não recebeu intervenção, relatou queda menor do estresse logo depois (efeito médio). Em 2 semanas, com mais perdas no grupo da intervenção (ficaram 39 de 47, contra 35 de 37), a diferença não se distinguiu do acaso; só entre os que receberam a intervenção, mais angústia inicial andou junto com mais sintomas, pista a confirmar.
- Análise conjunta de 23 ensaios randomizados com 2.016 adultos com esquizofrenia e quadros afins: ao fim do tratamento, terapias dirigidas às vozes reduziram sua gravidade, com efeito pequeno (0,18), ou seja, melhora discreta em média. O número junta cinco abordagens que diferiram bastante entre si; a certeza da evidência é baixa, e a terapia com avatar, que teve o maior efeito numa análise de subgrupo, ainda pede confirmação.
- Em ensaio randomizado feito na rotina de clínicas, com 316 crianças e adolescentes de 8 a 17 anos com ansiedade grave, começar por fluoxetina ou por TCC não mostrou diferença que se distinguisse do acaso. Os sintomas relatados pelo próprio jovem caíram cerca de um terço na amostra inteira, mas, sem grupo sem tratamento, isso não mede o efeito de nenhum dos dois. Somar o outro tratamento para quem não chegou à remissão em 12 semanas não trouxe vantagem clara.
- Ensaio randomizado com 301 jovens de 12 a 24 anos em risco: somar cuidado escalonado (triagem por risco e TCC inspirada na terapia comportamental dialética) a um programa Zero Suicide de melhoria do serviço não reduziu as tentativas de suicídio em 12 meses além do acaso (8,09% e 9,59%). A autolesão total, desfecho secundário que soma tentativas e autolesão sem intenção suicida, ficou menor, com risco de 0,46 vez o do outro grupo (faixa provável de 0,26 a 0,79), cerca de um caso a menos a cada dez jovens, sinal de um único ensaio.
- Ensaio randomizado com 102 adultos com ansiedade social: terapias conduzidas por inteligência artificial, por 4 semanas, não se distinguiram da lista de espera ao fim, e os autores sugerem que a melhora moderada da própria lista (0,54) possa ter pesado. No seguimento de 1 mês, só a psicodinâmica se distinguiu da lista (0,65, moderado); a TCC ficou em 0,51, sem se distinguir do acaso. Estudo pequeno, sem prova de que uma supere a outra.
Edição nº 1, 5 de outubro de 2026
- Ensaio randomizado com 80 crianças (amostra pequena) com problemas externalizantes: psicoterapia psicodinâmica focada em regulação emocional superou um grupo de habilidades sociais e parentalidade nos problemas externalizantes ao fim do tratamento, com efeito pequeno a moderado; nos sintomas de desafio e oposição, que também era desfecho principal, a diferença não se distinguiu do acaso. Aos 6 meses, a diferença já não se distinguia do acaso.
- Ensaio randomizado com 130 pessoas com dor lombar crônica: placebo aberto (a pessoa sabe que é placebo), com um vídeo positivo, reduziu a dor mais do que só acompanhar e não se distinguiu do analgésico, mas, com os participantes divididos em cinco grupos, ausência de diferença não prova equivalência. Quem esperava mais alívio tendeu a melhorar mais, uma associação, não prova de causa.
- Em 2.034 gêmeos suecos seguidos por até 23 anos, hostilidade e falta de assertividade se associaram a mais depressão, e parte da ligação da hostilidade com a depressão apareceu junto com menos apoio social. É associação, não prova de causa.
- Em análise secundária de um ensaio com 100 pessoas com ansiedade em 12 sessões semanais de TCC com exposição, emoção mais positiva e menos ativação emocional antes e depois das sessões se associaram a menos ansiedade na semana seguinte, com efeitos pequenos.
- Piloto exploratório com 60 familiares de pacientes em fase terminal, em Pequim: luto crescente antes da morte ou intenso e prolongado depois se associou a mais luto prolongado, depressão e ansiedade. Amostra pequena, achados a replicar.
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